Documentos que todo comprador deve exigir antes de assinar o compromisso

apartamento à venda na Aclimação REMAX

Muita gente acaba focando apenas no preço, na metragem ou na cor do piso quando encontra um imóvel que parece perfeito. É natural se deixar levar pelo entusiasmo de uma nova etapa, mas o momento que antecede a assinatura do compromisso de compra e venda exige um pé no freio necessário. Antes de colocar qualquer rubrica ou transferir um valor de sinal, existe uma radiografia burocrática que precisa ser feita para garantir que o que está sendo prometido é, de fato, o que está sendo entregue juridicamente.

O erro mais comum é acreditar que a matrícula do imóvel é suficiente. Ela é o ponto de partida, o histórico completo da unidade, mas não entrega a situação do dono atual. O que você precisa buscar são as certidões negativas. Elas servem para checar se existem dívidas ou pendências judiciais que possam comprometer a transação no futuro.

A matrícula atualizada, emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis, deve ser solicitada com uma emissão recente, preferencialmente dos últimos trinta dias. Nela, você verifica se o nome que consta como proprietário é o mesmo da pessoa que está vendendo. Parece óbvio, mas divergências aqui são mais frequentes do que se imagina. Além disso, a matrícula mostra se o imóvel está livre de ônus, como penhoras, hipotecas ou se foi dado em garantia de algum empréstimo.

Quanto ao vendedor, o ideal é solicitar as certidões de distribuidores cíveis e criminais, além da certidão negativa de débitos trabalhistas. O objetivo é entender se o proprietário responde a algum processo que possa levar à penhora daquele bem. Se alguém vende um imóvel enquanto já está sendo processado por dívidas, a Justiça pode entender que houve uma tentativa de fraudar credores, o que tornaria a compra uma dor de cabeça imensa para quem está chegando. Essas certidões podem ser solicitadas online e trazem uma camada importante de transparência.

Um imóvel não vive apenas de questões judiciais; ele tem uma rotina administrativa que gera custos. Se esses custos não forem pagos, eles acompanham o imóvel, não apenas o dono. Por isso, a certidão negativa de débitos condominiais é indispensável.

Peça ao síndico ou à administradora do prédio uma declaração de quitação de condomínio assinada. Não aceite apenas o comprovante do último boleto pago. O documento oficial deve atestar que não existem débitos pendentes de períodos anteriores, o que inclui eventuais taxas extras que tenham sido aprovadas em assembleia. Muitas vezes, uma reforma no telhado ou na fachada aprovada meses atrás pode gerar uma cobrança que o vendedor esqueceu de mencionar ou que nem chegou a ser lançada no boleto mensal.

No caso de casas, o foco muda para os impostos municipais, como o IPTU. Acesse o portal da prefeitura local com o número da inscrição imobiliária para verificar se há débitos de anos anteriores. É possível emitir uma certidão negativa de débitos imobiliários que garante que a prefeitura não tem nada a cobrar daquele cadastro. Se houver parcelamentos de impostos em aberto, isso precisa ser negociado antes da assinatura do contrato: ou o vendedor quita o montante total ou o valor é abatido do preço de venda com previsão expressa no contrato.

Embora pareçam despesas menores, as contas de consumo — água, luz e gás — possuem o poder de travar a rotina de quem acaba de se mudar. Em alguns casos, a concessionária pode negar a troca de titularidade caso existam débitos pendentes no medidor.

O procedimento correto é exigir do vendedor as últimas faturas pagas e, se possível, verificar diretamente nos sites das concessionárias se o endereço consta como "limpo". Isso evita que, ao entrar na casa, você seja surpreendido por um corte no fornecimento ou por uma cobrança de meses em que você nem era o morador.

Além disso, se o imóvel passou por reformas recentes, é prudente perguntar se existem contas de materiais ou serviços de empreiteiros em aberto que possam, de alguma forma, recair sobre o proprietário do imóvel ou gerar um pedido de bloqueio. O conjunto dessas informações — matrícula, certidões do proprietário, quitações de condomínio, impostos e contas de serviço — forma o dossiê que permite uma assinatura consciente. Ao reunir esses documentos antes de se comprometer, você não apenas blinda seu patrimônio, mas elimina as incertezas que costumam transformar um momento de conquista em uma sequência de problemas inesperados.